DIÁLOGOS SEM FRONTEIRA
:: FILMES EM EXIBIÇÃO ::

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  AFRIQUE  
  SUR SEINE  

  (FRANÇA, 1955, 21’, 14 ANOS)  
  de Paulin Soumanou Vieyra, Mamadou Sarr  

Dos anos 1920 aos anos 1960, antes de um grande número de países africanos terem sua independência, o cinema africano era quase inexistente, e quando os europeus filmaram o continente, foi apenas através de uma visão externa, a do colonialismo, oferecendo aos vários povos uma falsa representação (com exceção dos filmes do cineasta e etnólogo Jean Rouch, mas que não eram destinados originalmente a um público significativo).

Em virtude do decreto Laval, ministro das Colônias na década de 1930, todo projeto de filme estava sujeito à autorização após a verificação do roteiro. A censura poderia até intervir após a realização do filme, como foi o caso em 1950 do documentário Afrique 50, de Robert Vautier, ambientado na Costa do Marfim. Foi o primeiro filme anticolonialista francês, assim como em 1953, com Alain Resnais, Ghislain Cloquet e Chris Marker e o curta As estátuas também morrem (1953), que mostrou o domínio da arte ocidental sobre a arte africana.

Neste contexto, Paulin Soumanou Vieyra, o primeiro africano negro a estudar no Instituto Superior de Estudos Cinematográficos, e seus amigos Mamadou Sarr, Robert Caristan e Jacques Melo Kane, não obtiveram permissão para filmar na África. Assim, sob o patrocínio do Comitê do Filme Etnográfico, gravaram o curta-metragem intitulado África sur Seine, que mostra “alguns aspectos da vida dos africanos em Paris” (VIEYRA, 1975).

O curta-metragem mostra estudantes questionando sua identidade, sua civilização, sua cultura e seu futuro. A voz em off pergunta se a África está apenas na África ou também às margens do Sena.

Paulin Soumanou Vieyra, que mais tarde se tornaria o pioneiro da crítica cinematográfica africana, defendeu um cinema a serviço do povo. No nascimento do cinema negro africano, o primeiro movimento dos cineastas africanos foi o de reivindicar a autenticidade de sua visão sobre sua própria realidade.

 

Em 1955, quando um pequeno grupo de africanos e europeus discutia cinema nos corredores cheios de fumaça da Europa, eles quase não tinham atenção. Ao querer um cinema africano, ao trabalhar por sua criação, eles estavam lutando pela independência à sua própria maneira; pois não havia dúvida de que somente a soberania nacional dos países africanos permitiria a expressão cinematográfica da realidade autenticamente africana (VIEYRA, 1975).

Restauração 2K feita por Éclair, supervisionada pela PSV Films, apoiada pela Cinemateca Afrique do Instituto Francês.

REFERÊNCIAS

VIEYRA, Paulin Soumanou. Le cinéma africain: Des origines à 1973. vol 1. Présence africaine, 1975.

ONLINE

03 / DEZ :: 17h

DISPONÍVEL ATÉ

05 / DEZ :: 17h

APENAS NO BRASIL